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As Ilhas Japonesas de Ogasawara e Rebun

Saiba como a flora das ilhas Ogasawara e Rebun estão inspirando o universo das fragrâncias

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As Ilhas Japonesas de Ogasawara e Rebun

Partindo de Tóquio em uma balsa noturna, é necessário uma viagem de 24 horas para chegar às Ilhas Ogasawara. A distância da civilização, assim como a raridade de sua fauna e flora, rendeu ao arquipélago o apelido de Galápagos da Ásia. O espaço é um grande tesouro natural e pode ser comparado a outro ponto do Japão, localizado no extremo oposto do país, ao norte de Hokkaido: a Ilha Rebun, com sua vegetação rica e flores alpinas que só podem ser encontradas ali.

As Ilhas Japonesas de Ogasawara e Rebun

Galápagos da Ásia

Formado por 30 ilhas distribuídas em uma área de 8 mil hectares, o Arquipélago de Ogasawara nunca fez parte de um continente. Lá, animais e plantas passaram por um processo evolutivo único, resultado de seu isolamento. Com um clima subtropical, a Galápagos da Ásia guarda uma vegetação rara, com mais de 400 espécies nativas que são encontradas somente ali, como a Takonoki, a árvore polvo, cujas raízes se espalham como os tentáculos do molusco. Outra raridade é a Hibiscus glaber, uma flor que é amarela pela manhã e muda ao longo do dia até ficar vermelha quando a noite chega.

Flores alpinas

Com uma área de 82 quilômetros quadrados, Rebun é uma ilha onde é possível encontrar cerca de 300 tipos de flores alpinas crescendo ao nível do mar. É um fenômeno raro, visto que esse tipo de flora costuma nascer a pelo menos 1,5 mil metros de altitude. Muitas dessas plantas são exclusivas da ilha e podem ser identificadas pelo sufixo Rebun em seus nomes em japonês. Entre as raridades estão a Rebun-atsumori-so, uma flor de cor creme que é conhecida como a Rainha das Orquídeas. Outro exemplo é a Rebun-usuyuki-so, uma flor delicada similar a Edelweiss, típica dos Alpes Suíços.

Aromas da natureza

Quando se fala em flores, logo se pensa em seus aromas, por isso, é comum que empresas de perfume se inspirem na natureza para criar fragrâncias. Há uma série de métodos da captura de odores de plantas, como a destilação a vapor, extração por fluido supercrítico, enfleurage, entre outras. Uma das maneiras mais sustentáveis, entretanto, é por meio de uma técnica chamada Headspace. Anacelia Contador, diretora de fragrâncias da Takasago, uma das cinco maiores empresas do mundo na produção de aromas e fragrâncias, explica que por meio do headspace é possível capturar compostos voláteis presentes em ambientes ou em torno de objetos odoríferos, como plantas e alimentos, sem que estes sejam tocados ou destruídos. Coloca-se uma cúpula oca com um material adsorvente que envolve o objeto, capturando moléculas que posteriormente serão identificadas por meio da análise de cromatografia gasosa e espectrometria de massas.

Tesouros aromáticos

A técnica headspace é utilizada pela Takasago para registrar os odores das vegetações das ilhas de Ogasawara e Rebun, sem interferir no ecossistema. A casa de fragrâncias japonesa é a única no mundo com permissão para identificar e catalogar os odores de uma flora sem igual.

"A partir destas notas olfativas capturadas nas ilhas, conseguimos traduzi-las quimicamente para criar fragrâncias que de outra forma não seriam acessíveis, especialmente por conta da localização", explica Anacelia.

Fundada em 1920 por Tadaka Kainosho, a Takasago tem em seu portfólio de fragrâncias clássicos internacionais como Burberry Her, Victoria's Secret Cool Oasis e Joop Homme Ice, entre outros. Já entre as nacionais estão Jequiti Celso Portiolli Titanium Essence, Natura Águas Banho de Chuva e Água de Cheiro 1920 Lord, para citar algumas.

Assinatura olfativa

"Uma fragrância tem essa magia de despertar emoções. É algo muito poderoso, capaz de nos transportar no tempo e no espaço", diz Anacelia.

Foi com essa ideia em mente que coube à Takasago criar a assinatura olfativa da Japan House São Paulo: "Nosso objetivo era que o visitante tivesse uma percepção clara de alguns cheiros típicos do Japão", explica, destacando que foram criadas quatro fragrâncias exclusivas, cada uma delas correspondendo a uma estação do ano e os aromas típicos do período.

Com a chegada do inverno, a JHSP será tomada pelos toques de especiarias quentes encontradas na Azami, flor de tons roxos encontrada nas Ilhas Ogasawara. Na primavera, a fragrância terá o aroma floral da Sakura.

"Queremos que as pessoas se sintam como se estivessem caminhando por campos de cerejeiras", destaca.

Por fim, no verão, a energia e a vibração floral frutada da Atemoia de Ogasawara estará em destaque, seguida pelas madeiras e tons alaranjados típicos do outono traduzidos pela árvore Mizunara Oakwood.

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