Obra de shodō, caligrafia japonesa, com os ideogramas 言霊 (kotodama).

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Kotodama (言霊): a crença japonesa de que uma força espiritual reside em cada palavra dita

A obra de Shoko Kanazawa intitulada "Kotodama" pode ser traduzida como "o poder das palavras"

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Mensagens expressivas e poderosas da língua japonesa

Na exposição DŌ: O caminho de Shoko Kanazawa, cada obra de Shodō, caligrafia japonesa, traz uma mensagem poderosa. Por meio de kanjis, os ideogramas que compõem as palavras e expressões da língua japonesa, a jovem artista Shoko Kanazawa, além de se expressar por meio da arte da caligrafia, dá ao espectador – e ao mundo – um respiro, um momento de contemplação e reflexão a partir de sua escrita.

Kotodama (言霊): o poder das palavras

A obra Kotodama (言霊), diferente das demais obras, está escrita em um grande biombo e tem uma leitura que deve ser realizada da direita para esquerda. Podendo ser traduzida como "o poder das palavras", essa obra traz ao público brasileiro uma crença presente na cultura japonesa: a de que uma força espiritual reside em cada palavra.

Assim como os japoneses acreditam na existência de diversas divindades na natureza, desde os tempos antigos, eles também entendem que existe uma força espiritual no ato de verbalizar. Desse modo, há palavras auspiciosas e outras que devem ser evitadas, já que o ato de proferí-las pode exercer influência para a concretização da ideia contida nelas.

Título dizendo: Kotodama: o poder das palavras. Do lado direito, obra de shodō, caligrafia japonesa, com os ideogramas 言霊 (kotodama).

Para tempos auspiciosos, palavras auspiciosas

Ainda hoje, na língua japonesa, é possível observar a influência dessa crença. Por exemplo, em festas de casamento há uma etiqueta que proíbe o uso de palavras que sugiram separação, retorno ou repetição em discursos e mensagens, sendo necessário substituí-las por palavras de sentido positivo. Assim, ao anunciar que a festa está encerrada, é utilizada a expressãoohiraki” (お開き), que etimologicamente vem do verbo “abrir” e não do verbo “fechar” ou “acabar”, que pode assumir um sentido negativo.

Seguindo a mesma linha, em época de exames para o ingresso em escolas e universidades, os estudantes também evitam o uso de palavras ligadas à ideia de queda ou fracasso.

“A misteriosa e incrível energia das palavras. Ao serem proferidas, as palavras emitem vibrações. Dizem que Shoko possui uma pele bonita. Durante a maquiagem, ela agradece a sua pele inúmeras vezes: “Obrigada. Eu te amo!”, como se proferisse palavras mágicas. Shoko deve conhecer os fundamentos da mecânica quântica. Há um conceito que evidencia o fluxo de energias vibracionais “ki” emitidas pelas partículas elementares das células. Shoko envia “energia ki de amor” para as extremidades das células de sua pele. Isso explica o porquê de ela ter uma pele tão bonita!”, diz Yasuko Kanazawa, mãe da artista.

Percebe-se na cultura japonesa uma grande importância com relação à escolha e ao uso das palavras, uma preocupação que se reflete na língua e nos eventos sociais, mostrando assim o cuidado que os japoneses têm ao se comunicar com o outro.

Leia sobre outras obras de Shoko Kanazawa:

+ Usenfūma (雨洗風磨), expressão que pode ser traduzida como “a chuva lava, o vento lapida”

+ O conceito da obra kami (神), que traz à tona o respeito e veneração à natureza e aos deuses que habitam cada um dos seus elementos

+ Ichigo ichie (一期一会), uma expressão e filosofia de vida que pode ser traduzida como "uma vez, um encontro"

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