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Hayabusa, A Sonda Espacial Japonesa que Investiga a Vida no Cosmos

O objetivo dos cientistas da JAXA com o projeto Hayabusa é chegar a uma melhor compreensão sobre a formação do Sistema Solar e o modo como água e moléculas orgânicas chegaram à Terra

Conheça o Hayabusa, projeto de exploração espacial desenvolvido pela JAXA

JAXA é a Agência de Exploração Aeroespacial do Japão

A palavra Hayabusa (はやぶさ) não é totalmente desconhecida para muitos brasileiros. Antes de ser um famoso modelo de moto Suzuki, Hayabusa é o nome de um animal, o falcão-peregrino, célebre por sua rápida locomoção no ar, chegando a atingir impressionantes 320 km/h, o que faz dessa ave de rapina o animal mais veloz do mundo.

Hayabusa (Falcao-peregrino) Imagem: Depositphotos

Já a Hayabusa desenvolvida pela JAXA, a Agência de Exploração Aeroespacial do Japão, é uma sonda exploradora de asteroides construída no Centro Espacial de Uchinoura, que à época ainda era conhecido como Centro Espacial de Kagoshima.

Centro Espacial de Uchinoura ©️ JAXA

A primeira geração da sonda foi lançada em 2003, com a missão de coletar amostras de um pequeno asteroide, denominado 25143 Itokawa, situado a cerca de 42 milhões de quilômetros da Terra (para efeito de comparação, a distância entre o nosso planeta e o Sol é de aproximadamente 150 milhões de quilômetros). A sonda chegou ao asteroide no segundo semestre de 2005 e a cápsula de reentrada chegou à Terra, com as amostras, em 2010, aterrisando no sul da Austrália, próximo à cidade de Woomera.

O asteroide 25143 Itokawa foi nomeado em homenagem ao cientista Hideo Itokawa (1912–1999), um pioneiro na pesquisa e no desenvolvimento de foguetes e do programa espacial japonês.

A primeira missão Hayabusa foi importante para compreender questões relativas à morfologia, rotação, topografia, cor, composição, densidade e história da formação do 25143 Itokawa. A maior contribuição, no entanto, foi permitir ao programa espacial japonês desenvolver tecnologias de ponta na exploração espacial, como motores de íons, sistemas de navegação autônoma e comunicação no espaço profundo.

Agora, no início de dezembro, tivemos o retorno da segunda missão de exploração de asteroides pela JAXA, conhecida como Hayabusa2, que teve como destino o asteroide 162173 Ryugu. Este asteroide, de cerca de 900 metros de largura e que orbita o Sol a uma distância de aproximadamente 10 milhões de quilômetros da Terra, ganhou o nome em homenagem ao Ryūgū-jō (竜宮城/龍宮城), o palácio submarino do deus dragão do mar Ryūjin, de onde o pescador Urashima Tarō retorna com uma tamatebako (玉手箱), uma caixa com tesouros que lhe foi presenteada por Otohime (乙姫), a princesa do mar profundo numa história tradicional do folclore japonês.

Montagem do Hayabusa2 ©️ JAXA

A Hayabusa2 foi lançada em 3 de dezembro de 2014 a partir do Centro Espacial de Tanegashima. Após viajar por quase 4 anos, a sonda chegou ao 162173 Ryugu em 27 de junho de 2018. Para coletar as amostras, a Hayabusa2 aterrissou no asteroide e liberou projéteis para abrir uma cratera na superfície, permitindo a captura de poeira e fragmentos de rocha.

Centro Espacial de Tanegashima ©️ JAXA

162173 Ryugu é considerado um asteroide do tipo C, o que significa que sua superfície é rica em moléculas de carbono, água e, possivelmente, aminoácidos - essenciais para a evolução da vida na Terra. Inclusive, algumas teorias científicas dizem que os primeiros aminoácidos podem ter sido trazidos até o planeta terrestre por meio de asteroides. 162173 Ryugu também é considerado um asteroide primitivo, pois não evoluiu desde sua formação, quando o sistema solar foi forjado - há 4,5 bilhões de anos.

Superfície do asteroide Ryugu ©️ JAXA

Por isso, a missão para recolher este material primitivo tem o potencial de revolucionar nossa compreensão sobre as condições de formação dos planetas, segundo a equipe que coordena o projeto na JAXA.

O retorno do Hayabusa2 à Terra teve início em novembro de 2019, com a aterrissagem sendo realizada no dia 5 de dezembro de 2020, também próximo à cidade australiana de Woomera.

Aterrissagem da Hayabusa2 ©️ JAXA

A primeira missão, coletou apenas cerca de 1 mg de material e a expectativa é de que a Hayabusa2 tenha conseguido trazer para análise cerca de 100 mg de fragmentos, ricos em carbono. As amostras estão agora sob análise de cientistas da JAXA, que esperam poder chegar a uma melhor compreensão sobre a formação do Sistema Solar e o modo como água e moléculas orgânicas chegaram à Terra.

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