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A Tecnologia e Sustentabilidade do Uniforme Olímpico Japonês

Divulgação / Asics

No início de 2021, o Japão detalhou como pretende se tornar uma nação "zero carbono". O plano, embora complexo, apresentava medidas certeiras: investir em tecnologias limpas, como a energia eólica, e incentivar a fabricação de motores elétricos para carros. As lideranças japonesas estimam que, em 2050, o país não emitirá mais carbono na atmosfera.

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O projeto japonês não deixa de ser uma mensagem: se cada um de nós não fizer sua parte em relação ao ambiente, todos sofreremos as consequências. Cada ato, por menor que pareça, pode ser um compromisso pelo bem do nosso planeta. E é essa mentalidade de cooperação que o país quer reforçar nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Tóquio 2020.

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Durante toda a competição, a delegação japonesa terá a preocupação ecológica estampada em suas roupas. O uniforme dos atletas será uma peça 100% sustentável, feita com um tipo de poliéster reciclado de peças doadas pelos próprios japoneses. Isso porque, ao longo de 2019, a fabricante japonesa Asics espalhou locais de coleta para que a população descartasse suas roupas velhas. A partir delas, criou agasalhos novos e modernos.

Para incentivar a população, alguns atletas, como Chisato Fukushima e Yoshihide Kiryu, ambos do atletismo de velocidade, doaram roupas que usaram durante suas conquistas esportivas. Nas entregas, deixaram mensagens inspiradoras sobre a necessidade de um mundo sustentável. As frases foram expostas nas ruas ao lado da informação de que a indústria da moda é responsável, segundo a Organização das Nações Unidas, por 10% da emissão global de gases poluentes.

Além da sustentabilidade, a fabricante se concentrou em outros dois aspectos: controle de calor e diversidade. O primeiro fator de atenção se deve a uma preocupação com as temperaturas altas que são esperadas em Tóquio durante a competição. Por isso, os uniformes prezam pela evaporação rápida do suor e pelo conforto térmico.

Segundo Takahiro Yamabe, um dos idealizadores dos uniformes da delegação japonesa, o projeto focou em criar peças que se adaptem tanto às temperaturas superiores a 30 graus nos ambientes externos quanto às ventilações artificiais dos quartos da vila olímpica. Depois de testes e medições, optaram por um poliéster que se assemelha a um algodão na sensação corporal.

Já em relação à diversidade, os agasalhos vermelhos, inspirados na cor do sol durante a alvorada, possuem uma característica ambígua: ao mesmo tempo em que de longe parecem iguais, é possível ver, de perto, que cada um possui um desenho único das linhas costuradas. É uma maneira de dizer que, embora todos sejam iguais, cada atleta é único.

Mas os atletas não são os únicos a serem contemplados com uniformes sustentáveis e tecnológicos. Os mais de cem mil voluntários dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Tóquio 2020 também terão peças desenvolvidas especialmente para suas rotinas. Como grande parte deles trabalhará cerca de seis horas por dia, a ventilação e o conforto foram os principais fatores.

De acordo com Riko Ochai, responsável pela concepção das vestimentas dos voluntários, sua equipe coletou dados ainda em 2016 para entender melhor as necessidades do grupo. Houve, no processo, medições de temperatura corporal e testes ergonômicos com variados tipos de tênis. A escolha de design e materiais se deu depois de três anos de análises.

De cor azul-marinho e design unissex, os uniformes dos voluntários foram confeccionados também com poliéster reciclado e material vegetal. Além da camisa pólo, calças e tênis, o uniforme pode ser complementado com meias, jaquetas, chapéus e bolsas.

Tanto Yamabe quanto Ochai sabem que os uniformes do país-sede serão lembrados para sempre. O esmero de suas equipes, que aliou ciência, moda e sustentabilidade, é uma demonstração de como o Japão calcula e valoriza cada etapa de seus planos a longo prazo. E isso vale tanto para uniformes olímpicos quanto para um projeto de se tornar zero carbono.

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