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Repensando a Arte Tradicional e a Arte Digital, por Yoichi Ochiai

Neste artigo, o artista Yoichi Ochiai traz questionamentos sobre a possibilidade de existir algo como o Mingei, a arte tradicional, no universo digital

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Repensando a Arte Tradicional - Mingei - e a Arte Digital

Sustentabilidade, Artes e Ciências Multiversas e o Vernaculismo Digital

por Yoichi Ochiai

O conceito de Computação Ubíqua (em inglês, Ubiquitous Computing) expressa o ambiente em que os computadores são utilizados sem que se tenha consciência de que estão sendo utilizados. Nesse espaço, acredito que os computadores são considerados como parte da natureza. Por isso, eu chamo essa realidade de Digital Nature, ou seja, Natureza Digital.

Diante dessa aproximação da Natureza Digital, tenho me dedicado, nos últimos 5, 6 anos, a pensar nos resultados da interação entre a cultura tradicional japonesa e a robótica ou a paisagem, bem como na redescoberta das nossas tradições por meio da utilização do computador.

Primeiramente, gostaria de apresentar o conceito japonês de Mingei, que é o tema principal da minha palestra. Mingei são objetos feitos à mão, que refletem a cultura de onde são fabricados, sendo que não são feitos por um artista, mas por um artesão local. No Japão, foi Muneyoshi Yanagi1 quem defendeu o valor desses artefatos.

Como o Mingei é revisitado na era digital?

Como um primeiro passo, vamos repensar o Mingei por meio do uso da tecnologia digital. Dado que o computador não é mais distinto de algo natural, esse dispositivo poderia ser considerado um novo ambiente natural ao preservar o Mingei?

"O meio digital se torna parte de um certo tipo de natureza, um certo tipo de material."

Na obra Transformation of Horizon (2021), instalei um display de alta luminância em um mirante para elaborar uma obra que recria a linha do horizonte. Quando criamos uma obra em uma escala considerável como essa, mais do que a sensação de estarmos olhando para um computador, tenho a impressão de que nos aproximamos de um estado em que interagimos naturalmente com dados digitais. Por exemplo, nos últimos anos, tornou-se mais fácil criar obras com dimensões arquitetônicas. Com isso, acredito que podemos considerar que o meio digital se torna parte de um certo tipo de natureza, um certo tipo de material. Eu acho muito interessante que o digital seja apreendido como material, tal qual a madeira e o concreto.

Agora, gostaria de falar sobre a possibilidade de existir algo como o Mingei no universo digital.

A obra Re-Digitalization of Waves (2022) é um NFT de minha autoria. Originalmente, tratava-se de uma escultura flutuante prateada. A parte flutuante caía com frequência e acabava se quebrando. Como a arte de mídia tem, em sua essência, o desafio da manutenção, transformei-a em uma obra digital para que pudesse ser preservada. Ao transformá-la em um arquivo, o que resta é apenas uma imagem, por isso criei um NFT que pode ser remixado, por exemplo, com mudanças de cores.

《Re-Digitalization of Waves》 2022/Study: Osaka Kansai International Art Festival Crédito: Yoichi Ochiai
《Re-Digitalization of Waves》 2022/Study: Osaka Kansai International Art Festival Crédito: Yoichi Ochiai

Acredito que, futuramente, veremos materiais digitais sendo replicados por diversas vezes, renascendo em cada uma dessas ocasiões. Vem sendo criada a infraestrutura que possibilita essa realidade.

Acredito também que, no futuro, os dados digitais serão utilizados como um novo material, como se fossem um Mingei, uma materialização ou uma pintura. Para mim, os próximos debates vão tratar de como nascerão novas expressões, bem como o seu caráter autóctone, conforme a arte sem massa ou volume viaja entre diversas partes do mundo.

Nota de tradução: Muneyoshi Yanagi, também conhecido como Sōetsu Yanagi na literatura ocidental.

Sobre Yoichi Ochiai:

Artista de novas mídias, nascido em 1987, começou sua carreira como artista por volta de 2010. Suas obras se baseiam em temas como materialização, transformação e fascinação pela massa nos domínios fronteiriços. É professor Associado na Universidade de Tsukuba, Professor Visitante na Universidade de Artes de Quioto, Professor Visitante na Universidade de Artes de Osaka, Professor Especialmente Nomeado na Digital Hollywood University, Professor Visitante na Kanazawa College of Art.

Embaixador da Cultura Japonesa pela Agência de Assuntos Culturais do Japão 2020/ 2021, tem experiência como produtor do projeto temático para a Japan EXPO 2025 em Osaka e Kansai. Seus trabalhos incluem a coleção de fotografias Longing for Mass (amana, 2019) e o trabalho NFT Re-Digitalization of Waves (foundation, 2021) entre outros.

Recebeu diversos prêmios, como o prêmio de honra Prix Ars Electronica 2016, STARTS Prize pela União Europeia, SXSW Creative Experience ARROW Awards 2019, Apollo Magazine 40 UNDER 40 ART and TECH, o prêmio por excelência no Asia Digital Art Award e muitos trabalhos recomendados pelo Comitê de Júri da Divisão de Arte do Japan Media Arts Festival, promovido pela Agência de Assuntos Culturais do Japão.

Suas principais exposições individuais incluem Image and Matter (Malásia, 2016), Longing for Mass (Tóquio, 2019), Ruminate with Emotion (Leica Professional Store Ginza, 2019), Reminiscence of the Unknown (Shibuya Marui MODI, 2020), - Transformation of Material Things - (Hong Kong Arts Centre, 2021), etc. Tem a exposição permanente Digitally Natural – Naturally Digital (Miraikan, 2019); outras exposições incluem SIGGRAPH Art Gallery, Ars Electronica Festival, Media Ambition Tokyo, AI More Than Human (Barbican Centre, Reino Unido, 2019), Osana Gokoro wo Kimi ni (Museum of Contemporary Art Tokyo, Japão, 2020), ART for SDGs: Kitakyushu Art Festival Imagining Our Future (KITAKYUSHU MUSEUM OF NATURAL HISTORY, Japão, 2021), Estudo: Osaka Kansai International Art Festival (Osaka, Japão, 2022) e muitos outros. É diretor executivo da New Japan Islands 2019 e 2020, diretor do projeto Yoichi Ochiai x Japan Philharmonic e SEKAI NO OWARI na TIMM@Zepp DiverCity Tokyo, e colaborador em várias outras áreas.

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